Diana Vishneva

Medos e Relações

dianaadmin Amor, Amor Partilhado, Amor Próprio, Relacionamentos, Viver 2 Comments

Há algum tempo uma pessoa especial partilhava comigo que deixou de sair para dançar com algumas amigas porque o namorado não se sentia bem com essas saídas.

Partilhava que o namorado sentia medo de a perder por estar a dançar perto de outros homens. Esta insegurança do namorado fez com que tivesse deixado de dançar, o que a levava a sentir-se triste porque adorava e porque lhe “lavava a alma”.

Dizia-me que por amor, não o queria fragilizar pelo medo que este tinha que ela se apaixonasse por outra pessoa enquanto dançava.

Quando lhe perguntei como se sentia com isso, a resposta foi clara e imediata – Senti-mo mal, muito mal, porque adoro dançar e deixei de o fazer porque ele tem medo e eu não o quero magoar.
O que significaria esta mudança na vida dela?
O amor é cedência, é mudança vazia e sem vontade, é deixar de ser autêntico, é deixar de viver paixões?

Acredito que o amor não é nada disto, aliás não consigo ver aqui amor.
O amor é liberdade, é confiança, é entrega presente. É a partilha de corpos, de projectos, e de vida, mas com três dimensões: eu, tu e nós.

Quando deixas de ser em função do outro, deixas de viver em ti e caminhas no sentido contrário à tua essência e ao teu bem-estar e equilíbrio.

O amor é partilha de vulnerabilidades com a certeza que a relação não se constrói pelo medo de não colocar o outro a nu. Medos podem existir sempre, a diferença está naquilo que cada um, e os dois enquanto casal, farão com eles.

O amor dá liberdade para voar, não cadeado para prender e amarrar.

Ao amor não pertence nada, a não ser o próprio amor, livre de dependências e necessidades pessoais amarradas a medos, à manipulação, à inveja, ao ciúme e à vitimização.
O amor confia e faz renascer e fortalecer um eu vulnerável.

Final da história: esta relação acabou. Ela voltou a dançar. E ele continuou com os seus medos.

Diana

Imagem |Polina Semionova

Comments 2

  1. Teresa

    Concordo plenamente com o conceito de amor inerente ás palavras da Diana. Quando deixamos de fazer aquilo que gostamos só para agradar a quem diz que nos ama, estamos somente a ser escravos do outro, porque ao não permitir de uma forma ou de outra que façamos aquilo que gostamos e nos faz felizes o outro está somente a pensar em si e a não confiar na pessoa que diz amar, mas apenas possuí e quer a todo o custo controlar.

  2. Sofia

    Olá Diana!
    Estou há 10 anos numa relação em que esta cedência tomou proporções tais que ela própria está a matar a relação. Passo a explicar: cedi em deixar a minha profissão, os meus hobbies, os meus amigos, afastar-me de familiares, sonhos que tinha. Com o meu dinheiro construí a empresa dele, trabalho como sua empregada sem vencimento, sem vínculo à empresa pois não tenho contrato nem descontos para a segurança social,não dividimos as contas de casa porque a casa é minha, eu pago(argumenta ele), não ajuda em casa porque não tem tempo pois continua o seus hobbies à margem de casa e filhos. A cada cedência a esperança de que “Agora é que é! Agora ele vai sentir-se satisfeito e tranquilo”. Mas havia sempre mais e mais….Hoje disse-me que já não dá mais e quer o divórcio pois sente que a relação já não tem nada para dar. Irónico! Pois não! Quando se esvazia o outro em prol do nosso próprio regozijo e nunca é suficiente depois só há vazio em ambos os lados. Mas quem é sugado e depois cuspido seco como um gomo de laranja….Ai dói muito!!!

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