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“Senhor doutor guarde a sua opinião para si”

Diana Gaspar Diana, Mudança, Psicologia Positiva, Viver 0 Comments

Os artigos de opinião chegam até nós todos os dias, porque são, como o próprio nome indica, artigos de opinião. E assim sendo, podem os mesmo não reunir grande parte das vezes, critérios e princípios de igualdade, respeito e integridade implícitos a uma prática profissional. Se escreve como psicólogo, então que tenha implícito os princípios que orientam a sua prática, caso contrário, escreva apenas como o “Zé Manel”, e aí pode opinar como tal, como quer, e de acordo com a sua visão pessoal.

Parece que o titulo de doutor, seja em que área for, dá a alguns mais voz do que a outros, sendo esta voz algumas vezes envolvida em preconceitos, julgamentos e comportamentos xenófobos.

Claro que cada um de nós, como pessoa, tem a sua visão sobre um determinado assunto, e como profissionais, alguns de nós sentem-se mais aptos a trabalhar com determinados assuntos do que com outros. Assuntos e histórias que não reúnem consenso e princípios, são inúmeros, e todos eles trazem ao de cimo a perspetiva pessoal de cada um. Afinal ninguém é psicólogo antes de ser pessoa, médico, psiquiatra, e afins…Antes de sermos o que quer que seja, somos homens e mulheres com valores e princípios pessoais, com visões, opiniões, perspectivas e crenças.

No entanto, parece-me preocupante e grave, que muitos de nós enquanto profissionais não consigamos perceber que a nossa opinião pessoal não pode ser mais importante que uma perspetiva profissional assente na ética, no respeito pela diferença, pela orientação sexual de cada um, e por determinados tipo de comportamentos e escolhas daqueles que procuram a nossa ajuda, e que podem não fazer parte da nossa conduta ou escolhas.

Parece-me urgente que se repense na forma de actuar e OPINAR publicamente, e na intenção que cada um o faz, ao assumir o seu papel profissional.

Acredito que quando os princípios e os valores pessoais não se relacionam com isenção com o pedido de ajuda ou com o artigo de opinião, deve o profissional reencaminhar esse pedido para outro colega que o possa acolher com todos os princípios éticos e deontológicos que a sua profissão contempla.

Confissões fazem-se nas igrejas com as implícitas doutrinas morais subjacentes, nos consultórios de psicologia acolhe-se quem a nossa ajuda procura, arrumando-se na gaveta as pseudo-opiniões.

Diana

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