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Filho de Mãe e Pai!

Diana Gaspar Uncategorized 0 Comments

Hoje fico de coração cheio quando o meu filho, com a sua alegria e doçura, me diz: amo o meu pai; o meu pai é o melhor do mundo; estou cheio de saudades dele; ele é tão especial para mim… Como mãe divorciada, confesso que nem sempre o meu coração ficou assim tão cheio. No início, quando começou a verbalizar estas mensagens, eu sentia um frio gélido a percorrer-me o corpo, a melindrar as pretensões que tinha de ser uma super-mãe. Sentia em alguns momentos que, se calhar, não era assim tão especial e tão insubstituível em comparação com o pai. Sentia-me menor e até com vontade de perguntar: Então e eu? Então e de mim? Não gostas? Não queres estar comigo? E talvez até o tenha feito, melindrada pela doçura da sua partilha. Perdi-me muitas vezes em dissertações sobre a vivência da maternidade quando experienciada no contexto de um divórcio, questionando o meu papel, a minha intenção, os meus erros e as minha fragilidades. Perdi-me imensas vezes, mas acredito que aos poucos me fui encontrando como mãe e como mulher, num caminho duro e com mais baixos que altos.

Acredito que, como mães e pais, queremos ser as principais figuras do mundo dos nossos filhos. Queremos ser os maiores e os melhores, queremos, e bem, ser a referência, as paixões e os amores. Mas até onde podemos levar estes desejos implícitos na maternidade e na paternidade? Acredito que é uma reflexão que merece o nosso tempo e a nossa especial atenção, até porque podemos estar a condicionar e a afectar a vida dos nossos filhos. Nesta reflexão, dei por mim a sentir que de facto não havia nada mais tranquilizador para uma mãe, que sentir a relação entre pai e filho alicerçada em amor e cumplicidade. Uma relação onde a criança se sente livre para dizer com quem quer estar, em função dos seus desejos. Afinal, foi o pai que escolhi para partilhar a minha maternidade, independentemente de hoje já não formarmos um casal. Afinal, os interesses e o bem-estar do meu filho não podem ser menos importantes que o meu ego ferido e melindrado por partilhas sinceras.

Acredito hoje que o melhor disto tudo é sentir que tenho uma criança que se sente livre para dizer o que deseja, que se sente livre para partilhar o amor que tem pelos que fazem parte da sua vida, sem medo, e despreocupada pelo conteúdo da sua partilha. Costumo dizer que a maternidade nos dá oportunidades diárias para crescermos enquanto pessoas e para nos tornamos mais alinhados com o mundo do amor incondicional. Abrir mão do ego e abraçar o amor verdadeiro, não tem preço.

Diana

Fotografia | Luís Duarte

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