Mario Elson

Hoje chamam de bullying na altura chamei-lhe motivação!

Diana Gaspar Amor, Confiança, Determinação, Paixão, Ser Feliz Com Sucesso, Viver 2 Comments

Mário Elson sagrou-se vencedor da Taça de Portugal de Ultra Trail, no Grande Trail Serra D’Arga no passado dia 23 de Setembro. Motivou-me perceber quem é o Mario, o que faz, sente, pensa e no que acredita para ter os resultados que tem. O currículo é vasto e as vitórias também.
A entrevista fala por si!

1. Corres porquê e para quê?

Seria muito fácil usar o clichê de corro porque gosto e corro para me superar. Mas prefiro levar a resposta para a origem. Porque que comecei a correr? Com 10 anos era um miúdo obeso que sofria de asma. A médica de família disse à minha mãe que devia fazer desporto. O mais barato que havia era atletismo. E assim apresentei-me no meu primeiro clube de atletismo. Todos os miúdos corriam mais do que eu e chamavam-me de gordo, de bucha, ninguém me escolhia nos jogos de equipa ou era o último a ser escolhido. Sabes o que é sentir isso? Hoje chamam de bullying, na altura chamei-lhe motivação. Treinei mais que todos, corri mais que todos, acreditei que seria possível ser o melhor da rua. Hoje mantenho a mesma motivação em tudo na vida do menino gordito que só queria ganhar aos seus colegas. Desta motivação à paixão pelas corridas foi um pequeno passo.

2. O que significa para ti ganhar?

O que significa ganhar? Sair para treinar e fazer aquilo que gosto, correr pela natureza e passar em locais lindíssimos, sentir a pulsação e o suspiro de cada respiração e sentir que estou bem e que estou vivo, correr com os meus amigos e sentir que faço parte de um grupo, sentir a alegria de todos quando corremos lado a lado, fazer da superação de outro a tua própria superação. Nem sempre aquele que chega em primeiro é o que ganha mais. É a minha filosofia. Quando chego em primeiro à meta fico feliz por compensar o trabalho de muitos que se dedicam a mim.

3. Quanto tempo dedicas a treinar durante a semana? Em quanto desse tempo sais da tua zona de conforto?

Treino 24h/dia, 7 dias por semana. A treinar, propriamente dito, faço 18-20h/semana. 20% de treino, 50% de descanso e 30% de cuidados com a alimentação, tatica, postura corporal, emoções, etc..Fora da minha zona de conforto são 2h que é quando vou ao ginásio (risos). Não gosto, mas sei que é essencial, logo tem que ser feito. Todos os outros treinos são na minha zona de conforto. Desde series de 1000m para 2’50 até rampas com declives de 20% ou endurance de 4h, são treinos que me dão prazer fazer. E enquanto assim for….

4. O que dizes para ti quando perdes?

Para mim perder é quando não tenho boas sensações. Lembro-me de uma prova em que sou o primeiro a chegar, toda a gente a festejar e a dar-me os parabéns e eu chego junto de uma amiga e digo “correu mal”. Houve provas este ano em que cheguei ao fim e a classificação até seria boa para a maior parte dos atletas mas eu não gostei como correu. Também ja existiu o contrario. Para mim o mais importante é no fim estar satisfeito com o que fiz. Gosto de analisar todos os detalhes do que fiz para poder evoluir. Quando não corre bem, confesso que me martela na cabeça até ao dia a seguir em que volto a calçar as sapatilhas. Aí esqueço tudo.

5. O que te torna mais forte?

A alegria das outras pessoas, a felicidade dos que me são mais próximos, o prazer naquilo que faço, a paixão pelas corridas, eu vivo, eu respiro, eu sofro, por atletismo.
No que me toca pessoalmente sou muito forte psicologicamente, sou disciplinado e exigente comigo.

6. Como lidas com a opinião dos outros sobre os teus resultados?

Extremamente bem. Sendo eu o maior crítico de mim mesmo, coloco em mim níveis de exigência que mais ninguém me coloca. Como disse anteriormente, um 1° lugar para muitos é um excelente resultado, é o máximo, para mim não chega. Enquanto assim for, a opinião sobre resultados não me perturba. Ja não digo o mesmo sobre carácter e faltas de respeito. Custa-me um pouco quando nos colam rótulos e criam juízos de valor sobre o meu caracter quando não me conhecem.

7. Algumas das tuas fotografias espelham expressões de sofrimento. Se desses uma legenda a algumas delas qual seria?

É engraçado porque tenho imensas fotos a sorrir mas as que mais aparecem é as que vou a dar tudo. Possivelmente é as que os fotógrafos e o publico mais gostam. Não vejo aqui o sofrimento como algo depreciativo, pois não colo este sofrimento a dor, a algo mau. Este sofrimento vem do prazer, do querer dar tudo, do acreditar que ainda há um pouco mais dentro de nós para dar. Legendado, fica o que costumo dizer a alguns amigos “quando pensares que ja não tens mais para dar, cerra os dentes porque isto ainda está a começar”.

8. O que levas da corrida para a vida ou vice-versa?

Eu tenho duas grandes paixões na minha vida. O meu trabalho e o atletismo. Vejo-me um dia mais tarde sem a primeira (risos), não me imagino sem a segunda. São 25 anos a correr. Grande parte dos meus melhores momentos passei-os nos eventos de corrida, nos treinos diários, nas amizades que fiz, no amor que dei e recebi. O principal que levo das corridas são as pessoas fantásticas que conheci e as amizades que tenho. De mim para as corridas, dou o máximo empenho, dou tudo de mim, exprimo todos os sentimentos em cada uma das passadas, é o melhor que posso dar à corrida.

9. Quem te inspira e porquê?

Não sou de ter um ídolo fixo, gosto de seguir os bons exemplos e aprender com os maus.
Lembro-me de ver vários atletas e aprender um pouco com cada um deles, acreditar que um dia poderia ser eu. O prof. Moniz Pereira foi uma pessoa que me marcou muito pela sua paixão e dedicação ao atletismo. Na minha equipa tenho a sorte de ter dois amigos que para mim são uma referencia. O mestre Carlos Natividade Silva, transmite-me segurança, serenidade, tranquilidade, cada palavra sua é um poço de sabedoria e de conforto, o Pedro Marques estimula-me o lado mais destemido, corajoso, rebelde. Aprendo muito com eles. Não tinha como ídolo o Carlos Sá e fiquei fã dele, quando pude assistir in loco à sua prova no Estrela Grande Trail e, a partir daí tenho seguido atentamente o que faz e acho-o um atleta incrível e uma excelente pessoa.

10. Quem é o Mário?

Sou aquilo que vêem e aquilo que falo. Adoro falar, escrever, conviver e correr é a minha paixão. Sou amigo de toda a gente. Amo os que me são mais próximos, amigos e família, “dou a vida” por eles. Não sou pessoa de perder tempo com coisas inúteis, mas perco-me por uma boa conversa de horas. Sou convicto e determinado, teimoso também (risos). Sou pessoa de amor à primeira vista. Sou um digno exemplar de Touro (risos).

Obrigada Mário 🙂 “Quando pensares que ja não tens mais para dar, cerra os dentes porque isto ainda está a começar”.

Fotografia | Prozis

#ExceedYourself

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