Adriano passaros

E no fim, afinal, nada restou…

Diana Gaspar Amor Partilhado, Amor Próprio, Viver 1 Comment

Às vezes, descobrimos que algumas pessoas com quem nos cruzamos ao longo da vida, não vivem o conceito de amor e amizade como nós.

E quando concluímos que assim é sentimos dentro de nós uma tristeza imensa. Sentimos que afinal não vibramos na mesma sintonia e que não vivemos a mesma história de amor com a mesma intenção e segundo os mesmos princípios… e quando assim nos sentimos, juntamos à tristeza a desilusão, porque sentimos que só percebemos isso no fim da história. Sentimo-nos enganados embora o engano tenha sido construído na realidade por nós, e nas expectativas – necessárias para nos envolvermos – , que criamos para aquelas relações.

Acredito que descobrimos mais sobre as relações e as pessoas com quem as construímos no fim da história, e quando não há mais história.

O fim em si diz mais da história do que a história em si. E isto tanto é válido para os outros como para nós.

O que fazer então com aquilo que sentimos em relação a tua isto? Partilhar com aqueles que estão connosco aquilo que sentimos e a história que circula dentro de nós…chorar – chorar faz tão bem-, e correr, escrever, falar…e deixar que o tempo ajude a curar.

Não vivemos todos com os mesmos princípios e segundo os mesmos valores, e na realidade só a vida e as experiências nos vão confirmando quem somos, o que queremos e quem são afinal aqueles com quem partilhamos a vida.

A vida é uma construção constante, repleta de mudanças e conquistas.

Se neste caminho alguns saem porque não nos olham com o mesmo amor que nós os olhamos a eles, só podemos deixar partir com o mesmo amor e compaixão com que os deixámos entrar.

O amor tudo cura e tudo regenera. O melhor mesmo é deixar partir sem qualquer mágoa quem escolhe não fazer parte de nós, das nossas escolhas e das nossas dores. Se demos muito então foi porque fez sentido dar, porque sabemos dar e isso significa que podemos continuar a dar a quem fica e a quem virá.

A vida é um ciclo onde através da nossa energia e das nossas intenções conseguimos tirar quem a ela nada acrescenta para depois deixarmos entrar aqueles que como nós, nos querem e sabem amar.

Diana

Fotografia | Adriano Branco Neves

Comments 1

  1. António Ferreira

    O cerne da questão, na minha perspectiva, não é o deixar partir, sem magoas…. essa estado de espírito é uma inevitabilidade por necessidade de sobrevivência. O pior de tudo, nestes processos é o que fica o nosso interior. Atrevo-me a comparar as alterações no nosso interior sentimental, mental e psicológico a ocorrência de um processo parecido com a transformação “em vampiro” que vemos naqueles filmes de ficção sobre o tema.
    Deixa-se de ter vida para dar porque morremos, sem estarmos mortos.
    A luz do dia incomoda porque lembra outros tempos e acontecimentos.
    O choro, se é que alguma vez houve tempo de chorar nesse processo de desapego, deixa de existir… passam a existir lágrimas de sangue.
    O refugiar, o esconder passam a ser acções muito utilizadas no nosso quotidiano depois de termos dado tanto, não com a esperança de receber reconhecimento, gratidão ou … amor mas sim, com esperança perdida de ansiarmos por ter recebido algum respeito.
    Para colmatar este estado não há fármaco ou pessoa que vença porque, “a mancha de ferrugem”, essa, na camisa ou blusa, conforme o caso e situação, nunca mais sairá por muito que seja lavada

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