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Só tu podes percorrer o teu deserto…

Diana Gaspar Amor, Confiança, Determinação, Mudança, Relacionamentos, Viver 1 Comment

Quando sentimos de forma prolongada dor, raiva, ódio, zanga, indignação, vergonha, arrependimento e uma série de outros estados que quando prolongados se tornam tóxicos, porque estamos mal connosco e com os outros, isso significa que temos um ou mais conflitos dentro de nós por resolver.

Este conflito torna-nos pesados e intolerante, embora muitos de nós o consiga camuflar, fingindo que estamos de bem com a vida. Outras vezes, batemos mesmo no fundo, e mergulhamos num mundo de dor, de onde temos a sensação de não conseguir sair.

Quando assim estamos e não olhamos de frente para as nossas dificuldades e para os nossos conflitos tendemos a assumir comportamentos compensatórios menos saudáveis e prósperos em função de uma vida equilibrada e feliz.

Substituímos esta dor por excessos…de drogas, medicamentos, sexo, relações amorosas múltiplas, exibicionismo, necessidade de magoar os outros, impaciência, incompreensão, agressividade…como forma de esquecer, esconder, mascarar e diluir os conflitos pendentes.

E quando assim é fugimos, temos necessidade de mostrar que estamos de uma forma que não estamos e alienamo-nos para nos distrairmos do que nos dói. Escolhemos desta forma aumentar o conflito pelo adiar da sua resolução. Quanto mais tarde o fazemos pior, porque o que não é resolvido, é consumido dentro de nós.

Acredito que o confronto com o conflito será a única forma de o resolver. A sinceridade de olharmos para nós, com compaixão e amor e perceber o que está para ser resolvido é dos maiores atos de coragem que podemos assumir na vida.

Olhar para o que nos dói com carinho, perdão e amor, e perceber que história dizemos para nós e o que a alimenta e prolonga, é a maior forma de cura. Há desertos que só nós dentro de nós, os podemos atravessar sozinhos. Há desertos dentro de nós, que só nós, com a intenção clara de resolução os podemos acolher e transformar. Há desertos que por muito que nos façam sofrer, temos mesmo de os percorrer, para transformar uma dor numa imensa oportunidade de crescimento. Para isto, precisamos de parar, olhar, acolher, perceber e transformar. Com quê? Com coragem, determinação, e muito muito amor. Porque no fim do deserto, estarmos mais fortes, inteiros, íntegros e prontos para sorrir de frente para vida, com a certeza que não somos os nossos conflitos, mas que podemos ser muito mais, quando os décimos olhar de frente.

Diana

Fotografia | Adriano Branco Neves

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