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Só tu podes percorrer o teu deserto…

Diana Gaspar Amor, Confiança, Determinação, Mudança, Relacionamentos, Viver 3 Comments

Quando sentimos de forma prolongada dor, raiva, ódio, zanga, indignação, vergonha, arrependimento e uma série de outros estados que quando prolongados se tornam tóxicos, porque estamos mal connosco e com os outros, isso significa que temos um ou mais conflitos dentro de nós por resolver.

Este conflito torna-nos pesados e intolerante, embora muitos de nós o consiga camuflar, fingindo que estamos de bem com a vida. Outras vezes, batemos mesmo no fundo, e mergulhamos num mundo de dor, de onde temos a sensação de não conseguir sair.

Quando assim estamos e não olhamos de frente para as nossas dificuldades e para os nossos conflitos tendemos a assumir comportamentos compensatórios menos saudáveis e prósperos em função de uma vida equilibrada e feliz.

Substituímos esta dor por excessos…de drogas, medicamentos, sexo, relações amorosas múltiplas, exibicionismo, necessidade de magoar os outros, impaciência, incompreensão, agressividade…como forma de esquecer, esconder, mascarar e diluir os conflitos pendentes.

E quando assim é fugimos, temos necessidade de mostrar que estamos de uma forma que não estamos e alienamo-nos para nos distrairmos do que nos dói. Escolhemos desta forma aumentar o conflito pelo adiar da sua resolução. Quanto mais tarde o fazemos pior, porque o que não é resolvido, é consumido dentro de nós.

Acredito que o confronto com o conflito será a única forma de o resolver. A sinceridade de olharmos para nós, com compaixão e amor e perceber o que está para ser resolvido é dos maiores atos de coragem que podemos assumir na vida.

Olhar para o que nos dói com carinho, perdão e amor, e perceber que história dizemos para nós e o que a alimenta e prolonga, é a maior forma de cura. Há desertos que só nós dentro de nós, os podemos atravessar sozinhos. Há desertos dentro de nós, que só nós, com a intenção clara de resolução os podemos acolher e transformar. Há desertos que por muito que nos façam sofrer, temos mesmo de os percorrer, para transformar uma dor numa imensa oportunidade de crescimento. Para isto, precisamos de parar, olhar, acolher, perceber e transformar. Com quê? Com coragem, determinação, e muito muito amor. Porque no fim do deserto, estarmos mais fortes, inteiros, íntegros e prontos para sorrir de frente para vida, com a certeza que não somos os nossos conflitos, mas que podemos ser muito mais, quando os décimos olhar de frente.

Diana

Fotografia | Adriano Branco Neves

Comments 3

  1. Manuele

    Literalmente, SãoLucas diz que Jesus foi conduzido pelo Espírito no deserto. Foi pelo Espírito de Deus que Jesus foi levado no deserto. É interessante notar que não diz que Jesus foi levado ao deserto, mas que Jesus foi levado no deserto, foi conduzido dentro, no centro desta realidade do deserto. Agora, podemos nos perguntar “o que é o deserto? ” O deserto é um lugar extremamente árido, sem água, sem vida, sem as condições necessárias para a vida, sem relações, lugar do perigo, da solidão e da morte. Mas também encontramos no profeta Oséias, que o deserto é o lugar onde Deus fala ao coração (Os 2,16), um lugar silencioso, longe das preocupações e distrações da vida onde podemos escutar a Deus que sussurra ao nosso coração para interpelar nossa liberdade, não um deus que grita para nos impor o medo e nos obrigar a realizar algo forçadamente. Vemos também no livro do Êxodo, que o deserto foi o lugar onde o povo de Israel, libertado do Egito pela Mão forte de Deus, experimentou Seu cuidado, ao receber alimento, água e proteção, mas também o lugar onde este povo duvidou de Deus e da Sua promessa colocando-O à prova.

  2. Clara Pacheco

    Este texto mostra a minha realidade atual… O meu excesso é a agressividade verbal … e o obsessão pela arrumação.. Consigo parar e observar-me e ver q estou errada… Mas dou comigo a fazer o mesmo… inconscientemente…
    Moro no Porto e gostaria mt de falar consigo…por acaso não tem consultorio no Porto? Obg

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