Matias Novo 2

As experiências mais dolorosas podem ser as mais poderosas…

Diana Gaspar Uncategorized 2 Comments

Ao longo da vida vamos vivendo experiência que de todo não queríamos viver porque nos magoam, porque nos fazem sentir mal, porque nos ferem o corpo e a alma de forma bruta e desleal, porque nos mostram uma realidade que nunca imaginávamos vir a ver e a sentir. Esta forma bruta de sentir estas experiências fazem-nos muitas vezes sentir menores, frágeis, sensíveis, confusos, que não somos nem amados nem respeitados nas nossas forças e nas nossas fragilidades. Sentir que falam de nós, sentir que nos criticam sem verdade, sentir que nos apontam dedos sem consciência, sentir que algumas relações não foram vividas de acordo com os mesmos princípios e a mesma autenticidade que as nossas, são experiências que nos marcam e que deixam sem dúvida, marcas em todo o nosso ser, desde o corpo mais material até à dimensão mais espiritual. Esta dor, às vezes, é tão grande que nos sentimos a patinar nela sem conseguir erguer as pernas e encontrar o caminho mais rápido, da pista de gelo onde nos sentimos a dançar de forma infernal. E quando assim estamos, sentimos que rodopiamos vezes sem fim, sem saber como sair dali, daquela pista gelada, sem segurança, sem suporte e sem saída à vida. E rodopiamos, às vezes, tempo demais…

Acredito que a melhor forma de parar de rodopiar é sentar no chão gelado e molhada, e perceber o que estamos a sentir, porquê e para quê, por muito que o desconforto do chão molhado nos pareça pior que os rodopios. Sem pressa e com carinho pelo chão gelado, que mesmo gelado, nos apara na queda, devemo-nos permitir a olhar para o que sentimos sem medo nem pudor. Olhar à volta, observar aquilo que estamos a dizer para nós, aquilo que de facto sentimos que aconteceu, reconhecer a nossa parte da experiência e reconhecer a parte que conseguimos perceber da experiência do outro, encontrando significados, reencontros e recomeços com amor e perdão.

Abraçar quem nos continua a abraçar e sempre continuou, e começar a gatinhar até à porta, sem medo nem vergonha de o fazermos a gatinhar, é o primeiro passo para o fim do espectáculo. Na realidade, o melhor de uma queda é que conseguimos sentir quem continua ao nosso lado para nos ajudar a levantar, é o de conseguirmos retirar da nossa vida quem de facto não estava de verdade, e o facto de conseguirmos recomeçar mais fortes e mais convictos do nosso valor e daquilo que queremos.

Por vezes, as experiências mais dolorosas são as mais poderosas, e há danças que por muito que vividas sem pisos gelados, são necessárias para o nosso crescimento e caminho.
Que assim seja.

Diana

Fotografia | Matias Novo

Comments 2

  1. Carla

    obrigada pelas palavras, pois a dor que sinto deitou-me ao chão e neste momento estou molhada e fria a tentar gatinhar para uma saída. A queda foi de tal forma violenta que ainda tou toda dorida por dentro e as forças para me erguer ainda são escassas só que sei que em frente é o caminho e vou conseguir tirar da minha vida quem de facto nela não deveria ter estado.
    Vou ficar mais forte e dar mais valor a quem sou!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *