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Férias, Filhos e divórcios

Diana Gaspar Amor, Educação, Família, Mudança, Relacionamentos 4 Comments

Férias de verão rimam com praia e diversão, com banhos de mar e união. Férias significam momentos em família, castelos de areia, alguns gelados, sestas depois de almoço, muito colo, beijos, mergulhos, gargalhadas e abraços. Isto é, férias significam mais tempo com os filhos em sítio diferentes e divertidos, durante mais tempo, e ambicionados ao longo de todo o ano.

Era isto que imaginava quando pensava nas férias com o meu filho antes de ele nascer. E de facto, no tempo que está comigo é isso que fazemos e bem! No entanto, se férias de verão são isto tudo, também são hoje sinónimo de saudade e desconforto.  Os anos passam e vou aceitando a sua ausência durante um período de tempo no verão. No entanto, apesar do tempo e da aceitação há sempre uma parte de mim que fica pendurada em duas molas quando vai de férias sem mim. O tempo passa mas a saudade é sempre sentida da mesma forma.

Estar longe dos filhos pelo motivo de um divorcio é das maiores dificuldades que nós pais divorciados enfrentamos. Talvez porque quando imaginámos ser pais e imaginámos como ia ser a vida ao lado dos filhos, não criámos esta hipótese que um dia poderiam ir de férias sem nós, deixando o nosso ninho vazio… É uma realidade que dói e custa, e não sei bem se alguma vez nos habituamos de facto a isto.

Se por um lado é esta a realidade de um pai e uma mãe divorciada, este também é o medo de muitos pais que acabam por não avançar para um divorcio pela ideia angustiante de ficarem afastados dos seus filhos. E quanto a isto, não há nada a esconder: dói, e às vezes as saudades parecem ser maiores que nós, o coração fica pequeno e espalmado, parece que não sabemos respirar bem e não sabemos o que fazer ao tempo e a nós mesmos também…

O que fazer então?

Acredito que aceitar que nos dói esta distância e umas férias longe de nós, é um passo importante para a aceitação daquela que afinal foi uma escolha nossa: um divórcio. Por outro lado, se aceitar esta escolha e as suas consequências é um passo importante, acredito que também o é questionar as ideias e crenças que trouxemos para  maternidade e paternidade quando decidimos ser um dia pais e mães. De facto, quando penso naquilo que imaginava que ia ser a minha maternidade,  mais ou menos 50% dela, não corresponde à realidade. Imaginava uma coisa e na realidade hoje vivo outra. E depois?

Está tudo bem à mesma… até porque o filho está bem, e os pais também!! As saudades são imensas, gigantes e avassaladoras às vezes, mas há equilíbrio nos pais, os laços entre pais e filhos podem ficar ainda mais forte e passamos a valorizar muito mais o tempo que estamos com as nossas crias. Para além disso, se a minha, a nossa, intenção é ver os filhos bem e felizes, acredito que é tão importante para eles estarem com o pai e com a mãe mesmo que em momentos alternados. Afinal, um casamento pode terminar se nele não houver o essencial, já o papel de mãe e pai, esse será eterno e nenhum deles consegue ser substituído pelo outro. 

Assim sendo, que venham mais dias de verão e castelos de areia para viver também a maternidade não de acordo com o qua achávamos que era mas com aquilo que hoje podemos fazer dele e nela, sempre com amor e consciência.

Diana

Comments 4

  1. Maria Lubélia Ferreira

    Este texto escrito por uma psicóloga que muito prezo:Diana Gaspar, não se adapta ao “modelo” de todos os casais divorciados…Separa uns “dói esta distância e umas férias longe de nós, é um passo importante para a aceitação daquela que afinal foi uma escolha nossa: um divórcio”, no meu ponto de vista,para OUTROS DÓI e muito ter que passar as férias inteirinhas com os filhos, tal como os 365 dias, desfazendo-se a todos os níveis, enquanto a outra parte usufrui de descanso só 365 dias. Se um dia for grande… não quero ser INFELIZ!😍

    1. Post
      Author
      Diana Gaspar

      Olá Maria! Acredito que conseguirá encontrar dentro de si formas de não “se desfazer”. Mais do que mostrar uma realidade a minha intenção foi partilhar a minha perspetiva como mãe. Beijinhos

  2. Maria João Marques

    Boa noite.

    Há quem ache que com os dois é bom e quem ache que devem ter uma casa “mãe”.
    A minha experiência, até agora é na necessidade de vários intervenientes quando e se algum dos pais, estiver mais egoista em fazer os acordos gerais, para a lembrança do passo de serem pais, não seja posta em causa.

    O passado nesse momento, ou mesmo no dia de hoje, só se lembra para recordar bons momentos, as saudades dos filhos, sim, são muito sofrimento, que um abraço/dois, apagam num clique, dando lugar a um cintilar de energias boas, tão boas…

    Os meus pais, são, meus queridos, são fixes.

    Obrigada Diana, gostei.

    1. Post
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      Diana Gaspar

      Eu também sou a favor da “Casa Mãe”. Mas cada caso é um caso e o que pode funcionar para uma criança pode não funcionar para outra 😉 Obrigada pela sua partilha!! Um beijinho

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