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Férias de Verão de uma mãe divorciada…

Diana Gaspar Amor, Educação, Família, Mudança, Relacionamentos 0 Comments

Férias de verão rimam com praia e diversão, com banhos de mar e união. Férias significam momentos em família, castelos de areia, alguns gelados, sestas depois de almoço, muito colo, beijos, mergulhos, gargalhadas e abraços. Isto é, férias significam mais tempo com os filhos em sítio diferentes e divertidos, durante mais tempo, e ambicionados ao longo de todo o ano.

Era isto que imaginava quando pensava nas férias com o meu filho antes de ele nascer. E de facto, no tempo que está comigo é isso que fazemos e bem! No entanto, se férias de verão são isto tudo, também são hoje sinónimo de saudade e desconforto.  Os anos passam e vou aceitando a sua ausência durante um período de tempo no verão. No entanto, apesar do tempo e da aceitação há sempre uma parte de mim que fica pendurada em duas molas quando vai de férias sem mim. O tempo passa mas a saudade é sempre sentida da mesma forma.

Estar longe dos filhos pelo motivo de um divorcio é das maiores dificuldades que nós pais divorciados enfrentamos. Talvez porque quando imaginámos ser pais e imaginámos como ia ser a vida ao lado dos filhos, não criámos esta hipótese que um dia poderiam ir de férias sem nós, deixando o nosso ninho vazio… É uma realidade que dói e custa, e não sei bem se alguma vez nos habituamos de facto a isto.

Se por um lado é esta a realidade de um pai e uma mãe divorciada, este também é o medo de muitos pais que acabam por não avançar para um divorcio pela ideia angustiante de ficarem afastados dos seus filhos. E quanto a isto, não há nada a esconder: dói, e às vezes as saudades parecem ser maiores que nós, o coração fica pequeno e espalmado, parece que não sabemos respirar bem e não sabemos o que fazer ao tempo e a nós mesmos também…

O que fazer então?

Acredito que aceitar que nos dói esta distância e umas férias longe de nós, é um passo importante para a aceitação daquela que afinal foi uma escolha nossa: um divórcio. Por outro lado, se aceitar esta escolha e as suas consequências é um passo importante, acredito que também o é questionar as ideias e crenças que trouxemos para  maternidade e paternidade quando decidimos ser um dia pais e mães. De facto, quando penso naquilo que imaginava que ia ser a minha maternidade,  mais ou menos 50% dela, não corresponde à realidade. Imaginava uma coisa e na realidade hoje vivo outra. E depois?

Está tudo bem à mesma… até porque o filho está bem, e os pais também!! As saudades são imensas, gigantes e avassaladoras às vezes, mas há equilíbrio nos pais, os laços entre pais e filhos podem ficar ainda mais forte e passamos a valorizar muito mais o tempo que estamos com as nossas crias. Para além disso, se a minha, a nossa, intenção é ver os filhos bem e felizes, acredito que é tão importante para eles estarem com o pai e com a mãe mesmo que em momentos alternados. Afinal, um casamento pode terminar se nele não houver o essencial, já o papel de mãe e pai, esse será eterno e nenhum deles consegue ser substituído pelo outro. 

Assim sendo, que venham mais dias de verão e castelos de areia para viver também a maternidade não de acordo com o qua achávamos que era mas com aquilo que hoje podemos fazer dele e nela, sempre com amor e consciência.

Diana

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