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Mais do que Atletas…

Diana Gaspar Confiança, Determinação, Mudança, Paixão, Psicologia Positiva, Running, Viver 0 Comments

Há já um número grande de pessoas que investe grande parte do seu tempo e da sua vida ao desporto. Nunca vimos tanta gente a correr, a caminhar, a ir ao ginásio ou a praticar outro tipo de modalidade, mas no entanto, também sabemos que ainda há um longo caminho a percorrer em Portugal no que toca à prática do exercício fisico. Já somos muitos mas seria excelente que fossemos muitos mais e isto porque, de forma resumida, o desporto faz-nos bem, muito bem, a tudo e a mais alguma coisa, diria eu.  Ficamos com um corpo mais saudável, ganhamos outro tipo de amigos, conhecemos mais sítios e pessoas, libertamos uma série de hormonas que nos fazem sentir melhor, ganhamos outra motivação para cuidar do que comemos, ganhamos um sem fim de coisas boas, às vezes, até difíceis de quantificar. Ganhamos uma nova vida.

No entanto, dentro deste grupo de pessoas que dedica hoje algum do seu tempo à prática desportiva, há ainda outro que faz feitos históricos, porque consegue fazer aquilo que outros fazem sendo “só” atletas de profissão. E chamo-lhes feitos históricos porque assim de repente, seriam feitos impossíveis de alcançar. Grande parte destes históricos são pessoas que têm uma vida profissional bastante exigente, têm uma família com filhos, que cuidam e que estimam com consciência das suas responsabilidades, com compras, presença, banhos, jantares e almoços, escola e desporto dos mais pequenos e um sem fim de coisas…e ainda conseguem ter, ou arranjar em alguns casos, tempo para treinar. Estas pessoas existem e são cada vez mais. Como conseguem? Porque o fazem?

Por experiência própria acredito que o fazem acima de tudo porque gostam, porque lhes dá imenso prazer treinar, porque lhes dá gozo descobrir pessoas novas com os mesmos gostos e interesses, porque gostam de se desafiar, porque gostam de adrenalina e auto-superação. Acredito que alguns destes feitos históricos são uma consequência e não um fim em si. Treinam para se sentirem bem, talvez porque tudo ganhe mais sentido, porque ganham uma nova vida e porque descobrem muito de si através da prática desportiva com objetivos e intenções especificas. E no fim de tudo, acabam por ter desempenhos pouco diferentes daqueles que praticamente só treinam ou são profissionais do desporto. Não lhes retiro qualquer mérito a estes últimos e também acredito que Portugal precisa de olhar de forma diferente para aqueles que querem fazer do desporto uma profissão. Se formos a analisar a vida dos atletas não profissionais vamos perceber que há falhas muitas vezes no descanso, na alimentação, na forma como treinam e em muitas outra áreas, no entanto, também aqui a imperfeição não impede a realização de feitos históricos nem retira o gozo que tudo o resto proporciona.

E isto faz-me acreditar que a vida é mesmo do tamanho dos sonhos e da determinação para os alcançar, e mais do que resultados em si, o importante no meio de tudo é mesmo uma prática especifica trazer mais significado à vida de quem a pratica e de criar um efeito contagiante e de modelagem em todos os outros que convivem com estes atletas: aos filhos, amigos, vizinhos e a todos aqueles que vêem estes feitos de perto.

Afinal, para ser atleta, não é preciso ser profissional, não é preciso fazê-lo desde sempre, não é preciso pódios e medalhas, não é preciso ser o primeiro ou último a chegar à meta se for o caso. É só mesmo preciso dar prazer, fazer crescer, trazer significado e fazer sorrir. Porque acredito que, acima de tudo, que quem se desafia no desporto consegue depois desafiar-se com mais ousadia e coragem na resto da vida, porque embora possamos ser feitos de vários papéis seremos sempre um só, em tudo aquilo que somos, fazemos e tocamos.

Diana

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