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Diz-me quanto e como dormes, eu dir-te-ei como te sentes e vives!

Diana Gaspar Educação, Mudança 1 Comment

Agitação, choro constante, alterações de humor, irritabilidade, agressividade, alterações de apetite, pouca resistência à frustração, tendência ao conflitos, insatisfação generalizada são alguns dos sintomas que levam os pais, dos maiores e dos mais pequenos, a procurar ajuda. Alguns já tentaram de tudo, outros não conseguem ler e interpretar este tipo de comportamento, outros não percebem os motivos destas manifestações, outros acham que é dos genes, outros chamam-lhe mau feitio, manipulação, e um sem fim de diagnósticos caseiros, todos eles geradores de desconforto e preocupação.

Estes são alguns dos motivos da procura de ajuda de alguns pais que não sabem o que fazer mais com as suas crianças e o seus jovens. Obviamente que todos estes sintomas/manifestações podem ser a base ou a fonte de outros tipos de problemas e podem ter muitas outras leituras e significados. No entanto, em grande parte deles, quer nos mais novos, desde bebés a crianças até aos mais velhos, adolescentes e jovens adultos,  observo ao longos dos últimos anos que há  um factor em comum – falta de descanso e o não cumprimentos das horas necessárias de sono. 

São muitas as crianças e jovens que têm rotinas absolutamente assustadoras. Deitar cedo e cedo erguer faz sentido quando a hora de deitar se rege pelo mesmo princípio na hora de acordar, e as exigências das rotinas são adequadas às necessidades da idade. São imensas as vidas familiares de crianças e jovens que não respeitam, nem de perto nem de longe, o tempo de descanso e o tempo necessário para crescer e para se aprender a ser. Permanecem cada vez mais horas na escola, com intervalos cada vez menores, com rotinas exaustivas, excesso de actividades curriculares e extra-curriculares, que acabam muitas delas à hora em que se deviam estar a deitar. Muitas horas investidas em aparelhos eletrónicos com estímulos muita vezes duvidosos, acho eu, poucas atividades em família com qualidade, contacto e paciência.

No que toca aos adolescentes, são os adultos em ponto pequeno sempre agarrados ao telemóvel, sendo este levado muita vezes para o local de descanso e mais grave ainda, para baixo da almofada… para além do impacto de se dormir em cima dum aparelho que emite determinado tipo de frequências que afectam as ondas de sono, ainda há a necessidade de se estar a conversar até altas horas da noite em vez de se descansar, muitas vezes sem os pais se aperceberem porque também eles estão no limbo eletrónico.

Dormir pouco ou não dormir o necessário traz impactos devastadores para o crescimento e desenvolvimento de todos nós, quanto mais para um cérebro que só acaba de se desenvolver por volta dos 27 anos. Acredito que a saúde mental está em perigo, por estes factores, e que o impacto destes comportamos já se fazem sentir e que serão a base de muitas perturbações a médio e longo prazo.

Acredito que é urgente repensar na quantidade de rotinas que hoje jovens e crianças têm, na intenção desta necessidade, nas horas de descanso que precisam de ser cumpridas, no tempo que têm para não fazer nada e no tempo e na qualidade de sono que têm hoje. Também acredito que é urgente repensar nos aparelhos eletrónicos dentro dos locais de descanso. Desde o telemóvel à televisão, sabemos que todos eles trazem um impacto devastador ao desenvolvimento e à manutenção da saúde mental. Acredito que precisamos todos de repensar no que estamos a viver, como e porquê.

Convido pais, crianças e jovens a mudar as suas rotinas e a repensar nas suas verdadeiras prioridades e a terem tempo de ver o impacto destas mudanças. Pela experiência acredito que tudo muda ou quase tudo, para melhor. Basta experimentar.

Diana

Fotografia | Adriano Branco Neves

Comments 1

  1. Helena Almeida

    Muito bom Diana! Vejo isso nos meus netos e incomoda-me imenso. O meu neto mais velho diz que está habituado a dormir a ouvir musica (com os fones nos ouvidos). Acho tão mau… Obrigada! Beijinho

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