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Eu, tu, nós, desejo, distância, entrega e paixão!

Diana Gaspar Uncategorized 0 Comments

Todos sonhamos com uma verdadeira história de amor mas talvez poucos de nós sintamos que já a vivemos ou que a podemos vir a viver. Mas que elas existem, existem, mas talvez um pouco longe de um ideal relacional criado pelos meios cinematográficos.

As relações tem mudado nos últimos anos e os motivos são muitos. A emancipação da mulher no mundo do trabalho que a torna independente da figura masculina do ponto de vista económico, o uso das novas tecnologias que torna as relações também mais virtuais, sedutoras e presentes, as mudanças sexuais espelhadas também na forma mais livre, mas ainda não suficientemente saudável, da dimensão sexual, e outros factores pessoais e culturais, traz hoje outra dimensão e outra necessidade de reflexão e análise em relação às relações amorosas.

Afinal, quais são os ingredientes principais para a construção de uma relação de amor com desejo e intimidade? Os resultados de vários investigações longitudinais são muito interessantes. Para já partilho quatro 😉

1. Se as relações precisam de momentos de comunhão, partilha e entrega, também precisam na mesma dose de distância. É verdade! Distância. O uso das redes sociais e dos telemóveis faz hoje com que passemos o dia a conversar com a pessoa que amamos. Desde onde está, a com quem está, o que come, o que fala, se respira, se está cansado ou com energia, e um sem fim de questões retiram hoje às relações espaço para a liberdade individual de se viver sem partilhar constantemente o que se está a fazer. Não que essa partilha tenha em si algum mal, mas retira à relação aquilo que ela precisa – a individualidade e liberdade de cada um dos envolvidos para viver sem partilhas constantes. Será que esta procura constante do outro e das suas rotinas não se estará a tornar uma forma de controlo que asfixia os envolvidos? Será que precisamos mesmo de saber tudo o que o outro fez ao longo do seu dia?

2. As relações de amor precisam de desejo, de uma dimensão física e sexual. Afinal, é esta dimensão que esclarece a diferença entre este tipo de relação e as restantes relações intimas e próximas. Sabemos no entanto que o desejo inicial, que caracteriza a paixão dos primeiros meses, se vai desvanecendo ao longo do tempo. Mais do que as rotinas e os filhos quando passam a existir é a ausência de distância psíquica entre os dois e a ausência de investimento sexual regular na procura de outras formas de o casal se relacionar, que deitam por terra o desejo e o sexo. Quando falo em distancia psíquica falo da necessidade de os envolvidos viverem para além da relação, com outras pessoas significativas nas suas vidas. Quando tentamos que uma relação nos dê tudo, destruímos o desejo e a distância que a relação precisa para funcionar. Daí ser fundamental que para além da pessoa que se ama, também se mantenham por perto os amigos, os colegas e outros familiares. Relações fechadas em si podem ter os dias contados no que toca ao desejo e à saúde da relação.

3. A relação precisa de duas identidades diferentes. A perda de identidade dos envolvidos também parece ter uma relação muito próxima com a ausência de uma relação amorosa de sucesso. Muitas vezes o que acontece no início das relações é que os envolvidos acabam muitas vezes por se anularem ou de deixarem de ter a sua própria individualidade. Deixam de estar com os seus amigos, deixam de fazer coisas que gostavam, deixam de ter algumas rotinas que os caraterizavam, deixam de se expressar como se expressavam para se associarem à imagem e à dinâmica da pessoa com quem passam a estar. E esta perda de identidade, se pode parecer fascinante no inicio em que se esquece do resto do mundo para viver aquela paixão, depois dos primeiros tempos tem o efeito completamente contrário ao inicial. É evidente que as relações trazem sempre adaptações e estas são estruturais para as relações, mas por outro, é importante que continue a existir dois eus e um nós. Afinal, é difícil sentirmo-nos atraídos por alguém que abriu mão do que nos fez apaixonar por ela!!

4. Será que a pessoa com quem estás está mesmo segura da relação? Não. A pessoa com quem partilhas a tua vida pode ir embora. Assim sendo, olha para ela todos os dias com o desejo diário de a seduzires, de a reconquistar e com a certeza que por muito que ela goste de ti o amor precisa sempre de entrega e de investimentos diários.

Estas são para já as minhas quatro partilhas. Há muito mais, mas para já fico por aqui!

Se queres uma relação de amor saudável, cheia de desejo, saúde, entrega e paixão estas quatro orientações podem fazer toda a diferença.

Diana

Fotografia | Adriano Branco Neves

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