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Esgotados, Ansiosos, Tristes e em Burnout…

Diana Gaspar Uncategorized 7 Comments

O esgotamento, o burnout, a ansiedade e a depressão são o prato do dia na nossa sociedade. As notícias são diárias e os estudos consistentes em relação à forma como nos estamos a sentir. Estamos tristes, esgotados, ansiosos e com problemas graves de sono, alimentação e humor. E se este é cenário entre adultos, nas crianças e nos jovens não estamos melhor. A taxa de suicídio entre adolescentes é grande e crescente, a presença de sintomas que revelam algum tipo de sofrimento emocional também, terminando na quantidade de diagnósticos de défices de atenção e hiperatividade que acompanham as nossas crianças.

Olhando de uma forma global e consciente para o estado mental e emocional do país, é, no mínimo, assustador. Parece que nunca tivemos tanto e nunca nos sentimos tão mal. Precisamos de mudanças globais, de mudanças estruturais, de mudanças contextuais e políticas, e de assumirmos cada um de nós a responsabilidade pela nossa saúde e pela saúde dos nossos, e de sermos os primeiros a mudar. A analise é necessária e urgente, acredito eu.

Do que vejo, sinto e trabalho todos os dias, vejo uma sociedade apressada, a querer tudo para ontem, que deseja viver ao máximo e sempre com muita pressa,!entre tarefas, objetivos, metas e um sem fim de corridas contra um dia que, infelizmente para alguns de nós, só tem 24h. Ter muito que fazer é uma demonstração de sucesso e de uma vida trabalhosa, mas para grande parte de nós infeliz, só e vazia. Quanto maior a lista de tarefas, mais reconhecida se parece tornar a vida. Alguém que, nos dias de hoje, não tenha uma lista imensa e que não corra para a cumprir, não está bem. Este, o tempo, e o dia de 24h, assume-se como o principal inimigo nos dias de hoje. Devíamos ter pelo menos 48h, como algumas pessoas me vão dizendo. Afinal, não há tempo para fazer tudo. Mas será este um problema do dia que sempre teve e vai ter 24h ou daquilo que estamos a fazer com o tempo, connosco e com os que amamos?

Nunca se passou tanto tempo a trabalhar mas também nunca se falou tanto em procrastinar, em falta de foco, em falta de motivação, em distrações electrónicas e um sem fim de dispersões. Será a culpa da internet ou da necessidade de nos perdermos ou de nos encontrarmos nela? Será que conseguimos mesmo trabalhar 8h, 9h, 10h seguidas? Não, não conseguimos, pelo menos durante um longo período de tempo, com qualidade e saúde. Somos humanos, não máquinas. Precisamos de grandes pausas, de respirar, de espaço para criar, de parar, de socializar e um sem fim de coisas para que o nosso trabalho tenha qualidade e nos sintamos bem de forma global nas nossas vidas.

Trabalhar muitas horas não significa trabalhar com qualidade. E se no mundo adulto é assim, no contexto escolar também o é. Colocar uma criança um dia inteiro sentada, para se seguir um sem fim de actividades com regras e objetivos, sem espaço para ser apenas criança, para brincar livremente, para bem crescer, começa a ser um luxo num país que quer tornar as crianças em pequenos adultos. Não importa quanto tempo têm para dormir, descansar e para não fazerem nada. Importa que cresçam com várias competências cognitivas, que façam um sem fim de atividades e que sejam dotadas (de falta de tempo).

Mas estarão as nossas crianças felizes, livres e crianças? Nunca crianças e jovens se deitaram tão tarde, acordaram tão cedo, passaram tanto tempo na escola ou entregues aos seus jogos e mundos virtuais (tal como os pais), e terminaram as atividades extra-escolares quando já deveriam estar a ir para a cama. A quantidade de conteúdo escolar, acompanhado das atividades fora da escola é assustadora.

Queremos tudo. Trabalhar o máximo para subir ao máximo, que os nossos filhos tenham o máximo em atividades e em competência, que passem o máximo tempo na escola como se só lá crescessem e se tornassem adultos saudáveis, criativos, com princípios e valores. Queremos cumprir todos os objetivos e metas, não estivéssemos na era dos “super” e da “magia”.

Mas depois vemos, na prática, este mundo perfeito “do máximo” cada vez mais vazio, deprimido, ansioso, exausto e infeliz. Mas afinal, o máximo não era em nome da felicidade e da realização? Parecia que sim, mas afinal não.

Uma sociedade que não dorme nunca vai crescer. Uma sociedade que não pára nunca vai saborear o silêncio. Uma sociedade que não se olha e escuta nunca vai crescer. Uma sociedade que não traça prioridades vai estar em todas as frentes e em nenhuma. Uma sociedade que se valoriza pelo ter, nunca vai ser saudável, feliz, realizada e altruísta.
Andamos a morrer pelo tempo de nenhum tempo ter para ser.

Redefinir prioridades, metas, objectivos, necessidades e criar tempo para se ser pessoa parece-me urgente, fundamental e necessário. Pensar no conceito de normalidade e no querer porque todos têm e querem,também.

Diana

Comments 7

  1. Antonio Goncalves

    Cara Diana, não iremos resolver o tempo com um dia de 48h00m, apenas iríamos necessitar mais tarde de um dia de 96h00m e assim sucessivamente.
    Concordo consigo e creio que precisamos de prioridades distintas e consentâneas com os valores e ideais que são intrínsecos ao facto de sermos humanos. Para sermos felizes provavelmente teremos de ter paz, harmonia e estarmos bem connosco, independentemente da opinião dos outros ou daquilo que achamos que os outros pensam de nós face ao que é considerado normal, do padrão de consumo, dos mitos e ideais de sucesso, carreira e riqueza. Mas esse é um longo caminho, caminho em parte de solidão e aceitação dos outros independentemente do que são, do que pensam e de como agem.
    Temos de aceitar que o crescimento económico tem limites, tudo tem limites e não podemos querer sempre mais, mais e mais. Os valores não têm limites, ou os respeitamos, ou não, ou vivemos esses valores no dia a dia, ou não. Não há que procurar mais e mais, apenas o correto e agir em conformidade, procurando tempo para o trabalho, a carreira, a família, os amigos e nós próprios. Talvez deste modo tenhamos paz, o planeta futuro e a humanidade uma perspectiva de continuidade. Talvez os jovens nos ajudem a nos reencontrarmos e em promover o nosso futuro, o futuro deles e possamos viver em harmonia com a natureza, o planeta, os outros e nós próprios.
    Acredito nas novas gerações mas as gerações mais velhas também têm um papel a desenvolver na promoção da mudança e na superação da ansiedade, da depressão e do esgotamento. O actual modelo de desenvolvimento, de sociedade está esgotado e nós estamos esgotados, cada um de nós. Os sintomas da necessidade de mudança são evidentes, há que agir.

  2. Ana Ferreira

    A minha filha tem problemas de socialização, ontem foi um dia muito mau, chorou horas, é acompanhada por um psicólogo à anos, está numa escola estrangeira pq vivemos fora do país e o grau de exigência é mto grande, tem amigos de vários países e aquilo que podia ser um sonho pa ela é um pesadelo, é mt triste mas tenho esperança e vou estar aqui pra ela, hoje estou esgotada até me dói o corpo , obrigado pelas suas palavras.

  3. João Sousa

    Como é que alguém pode sentir-se bem, quando se alimenta mal???… Acham que comer cadáveres é saudável???… Acham que alimentar-se de alimentos processados, cheios de aditivos/químicos é saudável???… Acham que alimentar-se de pão, bolos cheios de açúcar, refrigerantes, café, leite, queijo, fiambre, água com ph inferior a 7,35, etc., é saudável???… A alimentação saudável, contribui em 50% para o nosso maior equilíbrio físico e intelectual. Auxiliem com actividade física, yoga/Chi Kung e meditação, a fim de contribuírem para os outros 50% para a parte psíquica, que é para a eliminação do stress e das emoções desequilibradas.

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  4. Pedro Nunes

    A prática de Mindfulness é muito útil para estas doenças, tenho vários casos com os mais diversos sintomas, devido a estar fortemente ligado á área de Mindfulness, e posso afirmar com total segurança de quem padece destas doenças, tem melhorado significativamente, e quem não tem, mas também pratica, muito dificilmente terá!

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