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Atividades extra-escola: sim ou não?

Diana Gaspar Uncategorized 1 Comment

Não são uma nem duas. Às vezes, são tantas que é preciso uma boa gestão de agenda, uma grande dose de disponibilidade familiar e uma excelente gestão parental para estar em todo o lado a tempo e horas. Falo das atividades extracurriculares. São muitas,imensas… As crianças que me descrevem os seus fins de dia e fins-de-semana fazem-no sempre com algum cuidado para acertar em que dias fazem o quê, quando e como. Entre mais de uma atividade desportiva, às vezes, uma ou mais atividade musical ou artística e trabalhos de casa é uma trabalheira sem fim ser criança hoje, acima de tudo porque com tanto tempo na escola e em atividade, não há tempo para se ser criança.

Muitas destas atividades começam na hora de jantar ou na hora de descontrair e terminam na hora de ir para a cama. Jantares em família há poucos e mais apertados em tempo, e muitas vezes ainda com um ou mais dispositivo eletrónico. Alguns trabalhos de casa ainda são feitos na escola para despachar ou depois de jantar antes de irem para a cama, depois da antiga hora do vitinho. Há muito para viver e crescer de forma global, acreditamos nós pais, que no fundo queremos dar tudo aos nossos filhos. Mas será este o todo que eles precisam de facto para crescer de forma saudável, autónoma e feliz?

Se a prática desportiva é fundamental a artista também o é. Crescer não passa só por saber ler, escrever, saber fazer cálculos matemáticos e consolidar conhecimento a todos os níveis. Se é o conhecimento que nos dá uma estrutura interna são as atividades que nos dão uma competente criativa, de socialização, trabalho de equipa, saúde física e emocional. No entanto, com peso e medida e com prioridades.

Acredito que todas estas atividades são fundamentais, no entanto, são muito questionáveis quando a criança passa tanto tempo na escola, com tarefas objetivas e regradas. Se aprender conteúdos escolares é inquestionável na sua importância, ter algum tipo de estimulo artístico e desportivo também o é, e aprender a brincar de forma livre, com tempo para criar, construir ou simplesmente nada fazer, ainda o é mais.

Acredito que a autonomia, liberdade, criatividade, a confiança e a auto-estima de uma criança precisam para de tempo para brincar de forma livre, autónoma, criando e testando eles as próprias regras, e de tempo para as fazerem.

Mais do que querer que as crianças ganhem competências especificas numa determinada área é fundamental que tenham tempo para serem autónomas na sua higiene, rotinas e brincadeiras e para isso precisam de tempo para o fazer. Acredito que, o que lhes damos hoje, a menos, é tempo para crescer, brincar e ser pessoa. Acredito também que o nosso sistema de ensino não lhes dá tempo para muito mais a não ser tempo para elas próprias e para aprenderem a auto cuidarem-se também. Quantas crianças têm muitas competências artísticas, académicas e desportivas e não sabem tomar banho, arrumar a mochila, brincar sozinhas ou acompanhadas, preparar algo para comer, limpar um espaço que precise de ser cuidado?

Precisamos de fazer escolhas, traçar prioridades e mostrar aos futuros adultos de amanhã que o dia tem 24h e que é tão importante termos coisas para fazer como tempo para não fazermos nada. E mais, que tempo para comer, dormir e brincar são prioridades, não excepções à regra de tudo ter que fazer.

Desporto e arte sempre, mas com tempo, peso e medida, à medida das necessidades deles e não em função daquilo que gostávamos que fosse – um dia de 48h e um tempo escolar bem menor e congruente.

Diana

Comments 1

  1. Helena Almeida

    Muito Bom! Somos tão exigentes com as nossas crianças, criamos tantas expectativas para elas que nos esquecemos do mais importante. E nós especialmente os da minha geração tínhamos obrigação de o saber melhor! Primeiro porque não tivemos actividades extracurriculares a não ser brincar muito e na rua e educámos os nossos filhos (a tua geração) muito bem! Embora já com algumas actividades extracurriculares mas sem exageros! Obrigada Diana

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