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Por que nos mantemos em Relações Tóxicas?

Diana Gaspar Uncategorized 0 Comments

Todos nós de alguma forma já vivemos uma relação tóxica em algum momento, ou em algum contexto das nossas vidas. No trabalho, na vida conjugal e amorosa, com amigos, com os filhos, em contextos sociais mais lúdicos, com pais, primos e afins. Todos nós já sentimos o peso, o desconforto, a dor, a vulnerabilidade de nos sentirmos intoxicados pela manipulação, inveja, humilhação, mentira, vergonha, agressão física ou verbal, pela culpa ou pelo sentido de servidão. Ninguém pode dizer “desta água não beberei” nem “nunca o vou fazer”. Somos humanos, vulneráveis e imperfeitos e muitos destes comportamentos nascem daqui. De uma forma mais intensa ou menos, com duração mais longa ou mais curta todos já passámos ou ainda passamos por alguma destas experiências.

No entanto, muitas vezes não percebemos o “porquê a mim” que nos abrasa a mente e aperta o coração de não sabermos como sair delas. E muitas vezes também, quando estamos no meio da experiência, que pode demorar anos ou uma vida, nem nos apercebemos que estamos a ser manipulados ou manipuladores, invejados ou invejosos, agressores ou vítimas, servos ou ditadores, vítimas, pessimistas ou negativos. Conseguimos ver com muito mais facilidade estes padrões nos outros do que em nós, e assim sendo, só a consciência, o crescimento, a vontade de mudar e o querer assumir a liderança pela vida que estamos a viver, nos dão a força interior para a análise acontecer e agirmos em função de uma vida de amor e não de uma vida com doença.

Potencial tóxico todos podemos ter, o que fazemos com ele é já uma escolha nossa. Assim sendo, há seis necessidades, de muitas mais, que nos fazem manter neste tipo de relações.

1. Acreditar que não sabemos viver sem o outro, sem aquele trabalho ou contexto;
Muitos de nós, mantemo-nos numa relação tóxica porque sentimos que não conseguimos viver sem a cara metade, sem aquela melhor amiga, sem aquele trabalho, sem aquela vida sexual, sem aquela intimidade… Há um sem fim de crenças destrutivas que nos fazem manter na toxicidade. Por muito que se goste de alguém, se precise de um trabalho, se tenha uma amiga de infância ou um familiar que nos agride, NADA, mesmo NADA nos pode fazer estar onde sofremos, onde não nos tratam bem e onde não nos sentimos amados e respeitados. Nada, mesmo nada.

2. Quando não sabemos dizer NÃO e traçar limites;
Saber dizer não é uma forma de amor e de respeito e implica assumir a responsabilidade pela forma como nos sentimos. Se não traçarmos limites na relação com o outro, vamos viver com os limites do outro e a vida que o outro quer, não a nós queremos. Temos medo de dizer não quando temos medo da rejeição. O amor não é uma medida de troca nem pode estar depende do que possamos vir a dizer.

3. Quando não nos amamos;
Quando sentimos que precisamos do amor do outro para estarmos bem, quando sentimos que sem o outro não gostamos tanto de nós, não somos tão bonitos ou desejados mantemo-nos numa relação tóxica por sobrevivência, e não por amor. Ninguém nos dá aquilo que não temos.

4. Porque temos medo do desconhecido;
Mantemos numa relação tóxica quando temos medo do que não conhecemos e quando acreditamos que por muito má que seja a relação, pelo menos já sabemos “o que a casa gasta”. Que preço pagamos mesmo por esta certeza e falsa previsibilidade?

5. Quando confundimos gratidão com escravidão;
Quando alguém “nos dá a mão” acreditamos que devemos tudo a essa pessoa. Mas tudo é quanto e até onde? Estar grato é um estado de agradecimento e reconhecimento interno por alguém que nos ajudou, isso não significa que vale violar limites pessoais e fazer tudo para agradar a outra pessoa.

6. Porque queremos agradar os outros e corresponder às suas expectativas;
Às vezes, vivemos uma vida a cumprir objetivos de outros porque os queremos agradar, porque os queremos deixar felizes, porque sentimos que precisamos tanto do seu amor que escolhemos “portarmo-nos bem” e fazer tudo aquilo que esperavam para nós, mesmo que para isso nos custe a vida.

Só nós nas nossas vidas podemos escolher que vida queremos viver e assumir com responsabilidade e coragem a forma como nos queremos sentir.

Diana

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